Brigadistas indígenas realizaram queimas prescritas usando cavalos pantaneiros nesta semana. Conhecidos como indígenas cavaleiros, essa é uma prática antiga, comum entre os mais velhos, e foi retomada pela Brigada Kadiwéu 3 da Aldeia Tomazia, como alternativa diante do atraso na chegada de viaturas e equipamentos.
Com a chegada do período de seca, a decisão foi tomada em conjunto. A prática vem de muito antes dos programas de manejo integrado do fogo, como disse o brigadista e cacique da aldeia Tomazia, Eudes de Souza: “nossos antepassados faziam assim. Pegavam o cavalo, o fósforo, e saíam para queimar com cuidado. A gente retomou isso e funcionou muito bem.”
O cavalo pantaneiro é parte da tradição Kadiwéu. A raça reconhecida formalmente e patrimônio genético adaptado às condições do Pantanal, tem papel estratégico pela resistência ao calor e à inundação, bem como às longas distâncias e aos terrenos difíceis. Uma verdadeira potência ancestral a serviço da prevenção.
Essas imagens mostram uma brigada que age com autonomia e discernimento, resgata o que faz sentido para o território e mostra, na prática, como a cultura indígena segue sendo essencial para proteger o Pantanal.
Com seu conhecimento local, e mesmo sem os equipamentos de combate, a brigada atuou com segurança e usando os EPIs disponíveis. Os veículos e outros materiais que ainda faltam, devem ser entregues até a próxima semana, segundo Márcio Yule, coordenador do Prevfogo/Ibama em Mato Grosso do Sul.
Texto: Alicce Rodrigues; Fotos: Cacique Eudes de Souza, Brigada Kadiwéu 3, Aldeia Tomazia