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stand interna

Instituto Terra Brasilis apresentou a sua Ecoteca Digital durante o VIII CBUC, em Curitiba

O Instituto Terra Brasilis participou do VIII Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (VIII CBUC) e da V Mostra de Conservação da Natureza, da Fundação O Boticário, realizado em Curitiba (PR), de 21 a 25 de setembro de 2015.

Na V Mostra, instalou um estande da Ecoteca Digital, sua biblioteca virtual dedicada a temas ambientais. Uma oportunidade importante para apresentar para as pessoas que participaram do VIII CBUC, principalmente as que trabalham com temas ligados às unidades de conservação, a Ecoteca Digital como uma ferramenta de grande valia no desenvolvimento de seus trabalhos.

Durante todo o evento, cerca 500 pessoas visitaram o estande, sendo muitas delas, após conhecer a Ecoteca Digital, para disponibilizar gratuitamente suas obras para publicação. Segundo Sonia Carlos, coordenadora da Ecoteca Digital, “isso reforça a importância desta ferramenta como um instrumento de divulgação do acervo acadêmico que vem sendo gerado ao longo dos tempos, bem como da possibilidade de consulta, em um único espaço virtual, sem burocracia e gratuitamente, a temas diversos afetos às unidades de conservação”.

Sobre o VIII Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação, a presidente do Instituto Terra Brasilis, Sônia Rigueira, ressalta que o evento contou com interessantes discussões nos seminários e reuniões paralelas, com destaque para o seminário sobre proteção de terras privadas e o evento sobre mosaicos de unidades de conservação. “Infelizmente, duas importantes moções – a do reconhecimento e fortalecimento dos Mosaicos de Áreas Protegidas como instrumento de gestão integrada e participativa e a que pleiteava a criação do Parque Nacional de Alcatrazes - foram consideradas impertinentes pela Comissão de Moções do evento. Acredito que perdemos uma grande oportunidade”, comenta.

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parides corte

Nova descoberta

Região da Serra da Canastra abriga mais uma espécie ameaçada

Biólogos do Instituto Terra Brasilis confirmam a existência, na região da Serra da Canastra, de uma população de mais uma espécie criticamente ameaçada de extinção: a borboleta Parides burchellanus. Entre maio e outubro de 2013 a equipe percorreu cerca de 106 km de drenagens nas bacias dos rios Araguari e São Francisco em busca da espécie e, como resultado, obteve 42 registros da borboleta. De acordo com o biólogo Lúcio Bedê, coordenador de projetos do Instituto Terra Brasilis, o resultado merece comemoração, pois esta é provavelmente a maior população conhecida da espécie.

A Parides burchellanus é uma espécie de borboleta endêmica do cerrado, listada como criticamente ameaçada de extinção. Há anos a espécie tem sido buscada por pesquisadores, sem sucesso, em várias áreas de seu registro histórico, de onde parece ter desaparecido. Até recentemente, eram conhecidas apenas duas populações remanescentes - uma em Brumadinho, MG, perto de Belo Horizonte, e outra na região do Distrito Federal e entorno, distantes cerca de 640 km uma da outra.

Em outubro de 2012, a espécie foi detectada na região do Parque Nacional da Serra da Canastra, a partir de uma foto tirada por um visitante (Ricardo A.G. da Costa), em área próxima à Cachoeira Casca D'anta - ponto turístico muito popular na região. Esse registro foi o que motivou a equipe do Terra Brasilis a empreender um amplo esforço de busca pela espécie na região.

Assim como ocorre com outras tantas espécies ameaçadas, a P. burchellanus é uma especialista: depende de matas ciliares que sombreiam os córregos e rios do cerrado e, ao que tudo indica, na fase larval se alimenta de uma única espécie de planta, a trepadeira Aristolochia chamissonis. Essa trepadeira, uma das espécies popularmente conhecida como 'papo de peru', cresce em taludes bem conservados ao longo dos cursos d'água na região do cerrado. Ambas espécies sofrem com a degradação das margens dos rios e córregos e, emblematicamente, apontam para a necessidade de proteção e a restauração de matas ciliares - algo também essencial para a conservação dos recursos hídricos.

Recentemente, o resultado deste trabalho foi publicado em forma de artigo na revista Check List: Journal of Species Lists and Distribution. Além da equipe do Terra Brasilis, participaram do artigo pesquisadores que trabalharam com a espécie e disponibilizaram dados sobre sua ocorrência em outros locais.

Foto: Ricardo A.G. da Costa

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tiradentes serra

Serra de São José

A primeira e única reserva para libélulas no Brasil tem sua lista de espécies publicada

Acaba de ser publicado o trabalho liderado pelo biólogo Lúcio Bedê, Coordenador de Projetos do Instituto Terra Brasilis, realizado em parceria com o Professor Angelo Machado, da UFMG, e os biólogos Werner Piper e Marcos de Souza sobre a lista de espécies de libélulas da Serra de São José, MG.

O trabalho, publicado na Revista especializada Notulae odonatologicae, traz os resultados de levantamentos da fauna de libélulas feito por esses profissionais na região, que abrange partes dos municípios de Tiradentes, São João Del Rei, Santa Cruz de Minas, Coronel Xavier Chaves e Prados.

Foi a partir dos resultados de um levantamento da fauna de libélulas, feito por esses profissionais na Serra de São José e entorno – municípios de Tiradentes, São João Del Rei, Santa Cruz de Minas, Coronel Xavier Chaves e Prados – que o Instituto Estadual de Florestas (IEF-MG) decidiu criar na região, em 2004, o ‘Refúgio de Vida Silvestre Libélulas da Serra de São José’. Desde então, esforços complementares de levantamento de espécies de libélulas foram realizados na região, alcançando a marca de 128 espécies.

O Instituto Terra Brasilis participou ativamente da proposta de criação dessa unidade de conservação, que tem como principais objetivos a proteção dos importantes mananciais hídricos da Serra de São José e sua biodiversidade.

A Serra de São José está entre as áreas mais ricas em libélulas já inventariadas no Brasil e no mundo, apesar de seu tamanho relativamente pequeno: 3.720 hectares. O motivo dessa elevada riqueza, acreditam os autores do trabalho, é a variedade de habitats úmidos que a Serra abriga.

Localizada em uma área de contato entre o Cerrado e a Mata Atlântica, e com a presença de formações de campos rupestres em áreas que alcançam mais de 1.400 m de altitude, o Refúgio abriga uma grande variedade de ambientes úmidos – como brejos, córregos, rios, lagoas marginais e açudes, em diferentes contextos ambientais. Em uma das áreas de mata mais conservadas da Serra, onde fica a nascente do chafariz da cidade de Tiradentes, os pesquisadores descobriram ainda uma espécie de libélula nova para a ciência, que, em homenagem à cidade, recebeu o nome de Heteragrion tiradentense.

O Refúgio de Vida Silvestre Libélulas da Serra de São José foi a primeira unidade de conservação criada para a proteção de libélulas no Brasil. Refúgios como esse são populares no Japão, onde as libélulas tem um importante significado cultural, mas são ainda raros em todo o mundo – na Europa há refúgios para libélulas criados na Escócia, Holanda e Finlândia.

Além de participar da criação do Refúgio, o Instituto Terra Brasilis também trabalhou na criação e implantação de dois centros de visitação permanente: a Casa das Águas, em Tiradentes (Águas Santas), onde é apresentada a geodiversidade da Serra de São José, sua formação, testemunhos de sua história geológica e seus recursos minerais – comopor exemplo a sua fonte de água mineral, e a Casa da Serra, em Prados (Pinheiro Chagas), que tem como grande destaque a fauna de libélulas, além dos temas relacionados ao meio físico, a biodiversidade e aos biomas ali representados. As mostras exploraram aspectos gerais da paisagem natural do refúgio e enfatizam a relação das libélulas com os seus habitats: as libélulas são consideradas importantes indicadoras da saúde dos ecossistemas aquáticos, como córregos, rios, lagoas e açudes.

Fotografia de capa: Libélula - Marcos Magalhães

Referência:

Bedê, L.C.; Machado, A.B.M.; Piper, W. & de Souza, M.M. 2015. Odonata of the Serra de São José – Brazil’s first Wildlife Reserve aimed at the conservation of dragonflies
Notulae odonatologicae 8(5): 117-127.

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