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Instituto Terra Brasilis inicia estudos para a conservação do Faveiro de Wilson (Dimorphandra wilsonii) com apoio do Fundo Mohamed Bin Zayed para Conservação de Espécies

O Instituto Terra Brasilis foi selecionado pelo ‘Fundo Mohamed bin Zayed para Conservação de Espécies’, sediado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos http://www.speciesconservation.org/), para receber um apoio financeiro para o estudo sobre a população remanescente do faveiro-de-wilson (Dimorphandra wilsonii), uma árvore endêmica da região central de Minas Gerais, considerada criticamente em perigo de extinção.

Este projeto aprovado tem como objetivo a obtenção de informações detalhadas sobre a condição atual da população remanescente, de forma a subsidiar os esforços de conservação e monitoramento do faveiro-de-wilson, estando integrado aos esforços da Fundação Zoobotânica de Belo Horizonte – FZB-BH para salvar essa espécie da extinção, e faz parte do conjunto de ações prioritárias estabelecidas no Plano de Ação Nacional do faveiro-de-wilson (clique aqui para ter acesso ao livro na Ecoteca Digital).

O trabalho será desenvolvido em parceria com a Fundação Zoobotânica de Belo Horizonte – FZB-BH, com o Centro Nacional de Conservação da Flora – CNCFlora / Jardim Botânico do Rio de Janeiro – JBRJ e a Associação Amigos da Serra do Elefante – AASE, baseada em Mateus Leme, MG.

O faveiro-de-wilson é uma árvore belíssima, que chega a passar dos 17 m de altura. Endêmica de Minas Gerais e associada a áreas originalmente cobertas pelo Cerrado e pela Floresta Estacional Semidecidual, a ocorrência da espécie está atualmente restrita a pouco mais de 270 km2 da região central do estado – incluindo partes da Região Metropolitana de Belo Horizonte - num polígono delimitado pelos municípios de Paraopeba (norte), Juatuba (sul), Lagoa Santa (leste) e Nova Serrana (oeste). Nessa área, sob forte impacto da expansão urbana, da pecuária e das queimadas, restam pouco mais de 300 indivíduos do faveiro-de-wilson, juntando-se jovens e adultos - nenhum deles ocorre em unidades de conservação de proteção integral.

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stand interna

Instituto Terra Brasilis apresentou a sua Ecoteca Digital durante o VIII CBUC, em Curitiba

O Instituto Terra Brasilis participou do VIII Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (VIII CBUC) e da V Mostra de Conservação da Natureza, da Fundação O Boticário, realizado em Curitiba (PR), de 21 a 25 de setembro de 2015.

Na V Mostra, instalou um estande da Ecoteca Digital, sua biblioteca virtual dedicada a temas ambientais. Uma oportunidade importante para apresentar para as pessoas que participaram do VIII CBUC, principalmente as que trabalham com temas ligados às unidades de conservação, a Ecoteca Digital como uma ferramenta de grande valia no desenvolvimento de seus trabalhos.

Durante todo o evento, cerca 500 pessoas visitaram o estande, sendo muitas delas, após conhecer a Ecoteca Digital, para disponibilizar gratuitamente suas obras para publicação. Segundo Sonia Carlos, coordenadora da Ecoteca Digital, “isso reforça a importância desta ferramenta como um instrumento de divulgação do acervo acadêmico que vem sendo gerado ao longo dos tempos, bem como da possibilidade de consulta, em um único espaço virtual, sem burocracia e gratuitamente, a temas diversos afetos às unidades de conservação”.

Sobre o VIII Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação, a presidente do Instituto Terra Brasilis, Sônia Rigueira, ressalta que o evento contou com interessantes discussões nos seminários e reuniões paralelas, com destaque para o seminário sobre proteção de terras privadas e o evento sobre mosaicos de unidades de conservação. “Infelizmente, duas importantes moções – a do reconhecimento e fortalecimento dos Mosaicos de Áreas Protegidas como instrumento de gestão integrada e participativa e a que pleiteava a criação do Parque Nacional de Alcatrazes - foram consideradas impertinentes pela Comissão de Moções do evento. Acredito que perdemos uma grande oportunidade”, comenta.

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parides corte

Nova descoberta

Região da Serra da Canastra abriga mais uma espécie ameaçada

Biólogos do Instituto Terra Brasilis confirmam a existência, na região da Serra da Canastra, de uma população de mais uma espécie criticamente ameaçada de extinção: a borboleta Parides burchellanus. Entre maio e outubro de 2013 a equipe percorreu cerca de 106 km de drenagens nas bacias dos rios Araguari e São Francisco em busca da espécie e, como resultado, obteve 42 registros da borboleta. De acordo com o biólogo Lúcio Bedê, coordenador de projetos do Instituto Terra Brasilis, o resultado merece comemoração, pois esta é provavelmente a maior população conhecida da espécie.

A Parides burchellanus é uma espécie de borboleta endêmica do cerrado, listada como criticamente ameaçada de extinção. Há anos a espécie tem sido buscada por pesquisadores, sem sucesso, em várias áreas de seu registro histórico, de onde parece ter desaparecido. Até recentemente, eram conhecidas apenas duas populações remanescentes - uma em Brumadinho, MG, perto de Belo Horizonte, e outra na região do Distrito Federal e entorno, distantes cerca de 640 km uma da outra.

Em outubro de 2012, a espécie foi detectada na região do Parque Nacional da Serra da Canastra, a partir de uma foto tirada por um visitante (Ricardo A.G. da Costa), em área próxima à Cachoeira Casca D'anta - ponto turístico muito popular na região. Esse registro foi o que motivou a equipe do Terra Brasilis a empreender um amplo esforço de busca pela espécie na região.

Assim como ocorre com outras tantas espécies ameaçadas, a P. burchellanus é uma especialista: depende de matas ciliares que sombreiam os córregos e rios do cerrado e, ao que tudo indica, na fase larval se alimenta de uma única espécie de planta, a trepadeira Aristolochia chamissonis. Essa trepadeira, uma das espécies popularmente conhecida como 'papo de peru', cresce em taludes bem conservados ao longo dos cursos d'água na região do cerrado. Ambas espécies sofrem com a degradação das margens dos rios e córregos e, emblematicamente, apontam para a necessidade de proteção e a restauração de matas ciliares - algo também essencial para a conservação dos recursos hídricos.

Recentemente, o resultado deste trabalho foi publicado em forma de artigo na revista Check List: Journal of Species Lists and Distribution. Além da equipe do Terra Brasilis, participaram do artigo pesquisadores que trabalharam com a espécie e disponibilizaram dados sobre sua ocorrência em outros locais.

Foto: Ricardo A.G. da Costa

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