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Estação reprodutiva do pato-mergulhão

Equipe de biólogos do Terra Brasilis encontraram três ninhos em atividade na região da Serra da Canastra

Em meio às belas paisagens da região da Serra da Canastra, os pesquisadores do Instituto Terra Brasilis estão com os dias intensos. Para monitorar o período reprodutivo do pato-mergulhão é preciso acordar de madrugada, pegar estrada de terra, monitorar os rios de caiaque ou a pé e fazer rapel para alcançar ninhos. Mas todo este esforço está valendo a pena, nesta temporada foram encontrados três ninhos em atividade. Os ninhos estão sendo acompanhados pela equipe durante todo o período de incubação até o nascimento dos filhotes, que deve acontecer até o final de julho.

Este monitoramento e a busca constante por novos ninhos tem possibilitado a obtenção de dados inéditos sobre a biologia reprodutiva do pato-mergulhão, como o tamanho da postura, tempo de incubação, sobrevivência dos filhotes, dentre outros aspectos, que são essenciais para traçar estratégias para a conservação da espécie.

Programa de cativeiro do pato-mergulhão

Nesta temporada, a equipe de biólogos coletou três ovos férteis de um ninho, localizado em um barranco na margem Rio Santo Antônio, na região da Serra da Canastra. Os ovos coletados foram levados para o Zooparque Itatiba para compor o Programa de Cativeiro do Pato-mergulhão, que é coordenado pelo ICMBio com parcerias de diversos pesquisadores da espécie.

A coleta de ovos é uma tarefa muito delicada e tem que realizada em pouco tempo e com muita precisão. “Chegamos às 6h, esperamos a fêmea sair do ninho, descemos de rapel até o ninho que tem um acesso difícil, coletamos os ovos e, no próprio local realizamos a ovoscopia para saber se estavam férteis. Em seguida, o veterinário do Zooparque, Alexandre Resende, colocou os ovos em uma incubadora portátil para serem levados para o parque”, explica Flávia Ribeiro, bióloga do Programa Pato-mergulhão do Instituto Terra Brasilis.

Aumentar o número de patos-mergulhão em cativeiro é muito importante para que, posteriormente, seja possível a reintrodução dos indivíduos na natureza e com isso diminuir o grau de ameaça da espécie. O Programa é uma das ferramentas para a conservação do pato-mergulhão, mas é importante lembrar que esta medida tem que estar associada a outras para garantir a sobrevivência da espécie.

“É muito importante manter a população em vida livre, e para isso temos que conservar o ambiente em que ele vive, mantendo a boa qualidade da água e promovendo a recuperação de áreas que foram degradadas. Sem água de boa qualidade não tem pato-mergulhão e não teremos como reintroduzir os patos do cativeiro na natureza, porque para isso o ambiente tem que estar preservado”, afirma Flávia.

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